Mostrando postagens com marcador André Luiz Pinto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador André Luiz Pinto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de julho de 2013

André Luiz Pinto

Certa como a manhã que nasce é a juventude que morre.
São horas frias e sombrias
entre alfaces e orquídeas
meandros de luz e um certo largo
de favela que espraia no morro
alto e incólume; este lupanar
que desde menino visito
nos sonhos, sob altas horas
este remédio que me visita aos domingos
mas não me corrige a gota.
Os pés inchados, a violência dos morros
minha vida já teve um destino maior
e as certezas eram quase unânimes
mas agora com a mentira estampada nos jornais
com o aumento do preço do cala-boca
a culpa é de todos, o vazio atravessa o quarto
às vezes pode ser um crime, mas me serve o terno novo.

In Suplemento Literário de Minas Gerais, Edição especial, maio de 2013, p. 27

FANI BRACHER

quarta-feira, 19 de junho de 2013

André Luiz Pinto

Pior se Deus apressasse um beijo,
                     viesse aqui como lembrança. Pior
se viesse do fundo uma outra verdade 
submersa. Porém todos, como nós, abafam 
os casos. Se fossem diferentes e no
lugar de arriscar, preferissem o pior, mó de uma nova
estrebaria, veio para rugas, greves,
congelamentos, autoramas.
Ainda, se reinventasse um dia de sol.
Deveria supor, não a mim, nem ao poema,
mas ao desejo tácito e fiel.
Ao menos um castigo; de pano
de fundo, uma guerra de troia, meninas
choram, sete e oito anos. Ainda, por ciúme,
seria pouco, muito pouco querido para nos atrapalhar,
ferir-nos a memória, a calmaria da face.
Não poderia ser assim. Não deveria ser por menos,
senhoras tricotam mentiras de abonada
gente. Quem é joio,
quem é judas, por que te beijou, preciso saber. Naquele
lugar distante e faminto, naquela marionete
de pensamentos vãos, ainda persiste. Eis que primeiro
falece, nada não há, aquilo de que
tanto falei, por quem tanto pedi, finalmente - não chego.

Primeiro de Abril (2004)

In: Roteiro da Poesia Brasileira - anos 90, seleção e prefácio Paulo Ferraz, São Paulo: Global, 2011, p. 180-181.

O poeta André Luiz Pinto nasceu no Rio de Janeiro, em 1975.  Com três livros publicados — Flor à Margem (1999); Um Brinco de Cetim/Un Pendiente de Satén (2003);  Primeiro de Abril (2004), ISTO (2005) e Ao léu (2007).    

William Dyce
       

Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...