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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Attila József

O INVENTÁRIO ESTÁ PRONTO
Confiei desde o começo em mim se bem
que isso não custe muito para quem
nada possui – não mais, em todo caso,
do que para o animal morto ao acaso.
Fiquei, mesmo com medo, em meu lugar:
nasci e mesclei-me até me destacar.
Paguei a cada qual conforme o preço
e, a quem me deu de graça, com apreço.
Se mulher me iludia com sua fala,
deixava-a me iludir para agradá-la.
Lavei convés e enchi baldes – não raro,
em meio aos sabichões, eu fui o otário.
Vendi brinquedos, pão, livros, jornais,
poesia – sempre o que rendesse mais.
Embora ainda prefira um fim no leito
à guerra ou corda – como for, aceito.
O inventário está pronto e aqui registro
que vivi. Muita gente morreu disto.

Novembro/dezembro, 1936

(Tradução de Nelson Ascher)


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Attila József

3.
te amo como a mãe ama em silêncio seu menino, 
como as cavernas suas profundezas,
como os cômodos à luz, 
como o  espírito à chama e o corpo ama o repouso. 

Guardo teus sorrisos, tuas idas e vindas, tuas palavras
como a terra guarda os objetos que caem em seu seio.
Em meus instintos gravei
como  ácidos no metal,
tua doce imagem:
lá teu ser  preenche a tudo que é essencial.

Os instantes passam ruidosamente,
mas tu ficas, silenciosa,  em meus ouvidos.
As estrelas se acendem e se apagam, 
mas tu permaneces  em meus olhos.
Como o silêncio em uma gruta
teu gosto flutua cálido em minha boca,
erguem um vaso de água tuas mãos,
e nelas tua fina rede de veias,
recompõem a aurora por momentos. 

Ode - (fragmento)

Sobre o autor

Kazimir Malevich


Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...