NOSSA HISTÓRIA
Na história de nosso amor, um foi sempre
Uma tribo nômade, outro uma nação em seu próprio solo.
Quando trocamos de lugar, tudo tinha acabado.
O tempo passará por nós, como paisagens
Passam por trás de atores parados em suas marcas
Quando se roda um filme.
As palavras
Passarão por nossos lábios, até as lágrimas
Passarão por nossos olhos.
O tempo passará
Por cada um em seu lugar.
E na geografia do resto de nossas vidas,
Quem será uma ilha e quem uma península.
Ficará claro pra cada um de nós no resto de nossas vidas
Em noites de amor com outros
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domingo, 27 de agosto de 2017
sábado, 21 de junho de 2014
Yehuda Amichai
DE TODOS OS VAZIOS...
De todos os vazios entre os tempos,
de todas as distâncias entre as filas de soldados,
das brechas do tapume,
das portas que fechamos mal,
das mãos que não juntamos bem,
do vazio entre os nossos corpos que não apertamos
um contra o outro —
nasce uma extensão vasta que se desdobra,
uma planície, um deserto,
por onde nossa alma irá sem esperança, depois da morte.
A MORTE DE MEU PAI
Meu pai, de repente, de todos os aposentos
partiu para suas estranhas lonjuras.
Ele partiu para chamar seu Deus
para que nos viesse ajudar agora.
E Deus já chegou, como um operário, servente
e pendurou seu casaco num prego da lua.
Mas nosso pai, que foi buscá-lo,
Deus o guardará para sempre consigo.
TUA VIDA E TUA MORTE, MEU PAI
Tua vida e tua morte, meu pai,
estão pousadas nos meus ombros.
Minha mulher nos trará
água.
Vem e bebamos, meu pai,
às minhas flores, às idéias,
pois tu me esperavas
e já não sou mais esperado agora.
Tua boca entreaberta, meu pai,
cantava e eu não ouvi.
A árvore do pátio era profeta
e eu não o soube.
Só teu passo, meu pai,
continua a caminhar no meu sangue.
Outrora foste o meu acompanhante.
Sou eu que te acompanho agora.
(Tradução: Cecília Meireles)
[In Antologia da Literatura Hebraica Moderna, Rio de Janeiro, Biblos, 1969, pp. 84-85]
Yehuda Amichai, nascido na Alemanha em 1924 e educado em Israel. Participou da Guerra da Independência e estudou a Língua Hebraica. Publicou três coleções poéticas que lhe valeram o prêmio Shlonski. Faleceu em Jerusalém no ano 2000.
De todos os vazios entre os tempos,
de todas as distâncias entre as filas de soldados,
das brechas do tapume,
das portas que fechamos mal,
das mãos que não juntamos bem,
do vazio entre os nossos corpos que não apertamos
um contra o outro —
nasce uma extensão vasta que se desdobra,
uma planície, um deserto,
por onde nossa alma irá sem esperança, depois da morte.
A MORTE DE MEU PAI
Meu pai, de repente, de todos os aposentos
partiu para suas estranhas lonjuras.
Ele partiu para chamar seu Deus
para que nos viesse ajudar agora.
E Deus já chegou, como um operário, servente
e pendurou seu casaco num prego da lua.
Mas nosso pai, que foi buscá-lo,
Deus o guardará para sempre consigo.
TUA VIDA E TUA MORTE, MEU PAI
Tua vida e tua morte, meu pai,
estão pousadas nos meus ombros.
Minha mulher nos trará
água.
Vem e bebamos, meu pai,
às minhas flores, às idéias,
pois tu me esperavas
e já não sou mais esperado agora.
Tua boca entreaberta, meu pai,
cantava e eu não ouvi.
A árvore do pátio era profeta
e eu não o soube.
Só teu passo, meu pai,
continua a caminhar no meu sangue.
Outrora foste o meu acompanhante.
Sou eu que te acompanho agora.
(Tradução: Cecília Meireles)
[In Antologia da Literatura Hebraica Moderna, Rio de Janeiro, Biblos, 1969, pp. 84-85]
Yehuda Amichai, nascido na Alemanha em 1924 e educado em Israel. Participou da Guerra da Independência e estudou a Língua Hebraica. Publicou três coleções poéticas que lhe valeram o prêmio Shlonski. Faleceu em Jerusalém no ano 2000.
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