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sábado, 17 de novembro de 2012

Leopoldo Maria Panero

A CANÇÃO DE AMOR DO TRAFICANTE DE MARIJUANA
E para quê morrer nos bairros onde
o batom substitui o sangue nos dão por cinco reais algo que dizem que é 
um sucedâneo do mel?
(Mesmo que às vezes contenha pestanas afogadas
 que você deve separar cuidadosamente antes de usar.)

Um cigarrinho por tão poucos reais! Melhor oferta não há!
O buraco de que tanto precisávamos para nele meter
a nossa enorme cabeça e
num intervalo de duas horas não ouvir nada além 
do barulho que ela
própria produz (uma espécie de rio de lodo).

O que estão esperando, o que estão esperando para
Desenterrar os pedaços de vidro colorido que a terra
engoliu as balas que ao passar pelo intestino se
transformarão em algo
desagradável ao tato, ao gosto, ao olfato,
ou os cachorros com que brincávamos na esquina
enquanto os carros ao passar nos sujavam de lama?

Tudo: as flechas, as férias, e tudo por tão pouco preço, 
senhores, por tão pouco preço um arlequim dançará nas 
suas pupilas, uma serpente com muleta aninhará nelas, 
um vento, talvez, reconheço que um pouco cansado 
e com vontade de ir para casa, tratará de limpar os cinzeiros,

e tudo por tão pouco preço, senhor, 
por tão pouco preço.

Tradução de Carlito Azevedo

[Fonte: Bliss, revista de poesia, Rio de Janeiro: 7Letras
volume único p. 137]


Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...