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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Gérard de Nerval

DÉLFICA

Ultima Cumaei venit jam carminis aetas.

Tu a conheces, Dafne, esta antiga romança,
Do sicômoro aos pés, sob os louros pendentes,
Sob a oliveira, o mirto e os salgueiros trementes,
Esta canção de amor que além sempre se lança?...

Reconheces o TEMPLO onde a cornija avança,
E os amargos limões onde entravam teus dentes,
E a caverna fatal a hóspedes imprudentes
Onde o dragão vencido esconde a íntima herança?...

Eles retornarão, os Deuses que tu choras!
O tempo recriará a ordem das velhas horas;
De um profético sopro o chão foi sacudido...

Enquanto isso a sibila de rosto latino
Ainda dorme por sob o arco de Constantino:
— E nada perturbou o Pórtico esquecido.

[In Alexei Bueno, Cinco Séculos de Poesia, Rio de Janeiro, Ed. Record Ltda., 2012, p. 77]

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Gérard de Nerval

A LOUISE D'OR... RAINHA
O velho pai tremendo abalava o universo,
Ísis, a mãe, então se ergueu sobre o seu leito,
Fez um gesto de ódio ao esposo contrafeito,
E ao verde olhar surgiu o antigo ardor imerso.

Disse ela: "Ei-lo que dorme, esse velho perverso,
Toda geada do mundo em sua boca achou preito.
Vigiai o seu pé, arriai o olho imperfeito,
Esse é o deus dos vulcões e o rei do inverno adverso!"

"A águia agora passou: Napoleão me impele;
Por ele, eu me vesti com as roupas de Cibele,
É Hermes meu esposo e meu irmão Osíris..."

A deusa já fugira em sua concha dourada;
O mar nos reenviava a sua forma adorada,
E brilhavam os céus por sob o manto de íris!

[In Alexei Bueno, Cinco Séculos de Poesia, Rio de Janeiro, Ed. Record Ltda., 2012, p. 103]






quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Gérard de Nerval

EL DESDICHADO
Eu sou o Tenebroso, - o Viúvo, - o Inconsolado,
O Senhor de Aquitânia à Torre da abulia:
Meu único Astro é morto, o meu alaúde iriado
Irradia o Sol negro da Melancolia.

Na noite Sepulcral, Tu que me hás consolado,
O Posílipo e o mar Itálico me envia,
A flor que tanto amava o meu ser desolado,
E a treliça onde a Vinha à Roseira se alia.

Sou Biron, Lusignan?...  Febo ou Amor?  Na fronte
Ainda o beijo da Rainha rubro me incendeia;
Eu sonhei na Caverna onde nada a Sereia...

E duas vezes cruzei vencedor o Aqueronte:
Modulando na cítara a Orfeu consagrada
Os suspiros da Santa e os arquejos da Fada.

[In Alexei Bueno, Cinco Séculos de Poesia, Rio de Janeiro, Ed. Record Ltda., 2012, p. 69]




Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...