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sábado, 20 de junho de 2015

D. H. Lawrence

VI

Ser ou não ser ainda é a questão.
Esse desejo ansioso de ser é a fome fundamental.
E para mim mesmo eu posso dizer “quase, quase, oh, por pouco”.
Mesmo assim alguma coisa perdura.
Alguma coisa não perdurará sempre.
Pois o essencial já é completude.

O que perdura em mim é para ser conhecido enquanto conheço.
Eu a conheço agora: ou talvez conheça minha própria limitação
em relação a ela.
Mergulhando como fiz, sobre, sobre a beira do abismo
caí finalmente de ponta-cabeça dentro do nada, mergulhando na
completa e áspera extinção;
cheguei, como se diz, ao não saber,
morri, como se diz; cessei de conhecer; superei-me.
O que posso dizer mais, exceto que eu sei o que é superar-me?
E um tipo de morte que não é morte.
E ir um pouco além dos limites.
Como se pode falar, quando há um silêncio na nossa boca?

Suponho que ela, finalmente, está completamente além de mim,
Ela é completamente não-eu, essencialmente.
É a isto que chegamos.
Uma curiosa agonia, e um alívio, quando toco aquilo que não sou eu
em qualquer sentido,
fere-me de morte com o meu próprio não-ser; limitação definitiva,
inviolável,
e alguma coisa além, muito além, se você compreende o que
significa isso.
E a parte maior do ser, este superar a si mesmo,
este ter tocado a margem do além, e sucumbir, e mesmo assim
não ter sucumbido.

[In William Blake & D. H. Laurence, Tudo que vive é sagrado, seleção, tradução e ensaios Mário Alves Coutinho, 2a. ed. , Crisálida, Belo Horizonte, 2010]

BY Brian Anstee


quinta-feira, 23 de abril de 2015

D. H. Lawrence

O MAR, O MAR

O mar dissolve tanta coisa
e a lua leva embora tão mais
do que sabemos -
Assim que a lua baixa
e o mar se apossa de nós
as cidades se dissolvem como sal-gema
o açúcar funde fora da vida
o ferro some como velha mancha de sangue
o ouro se transmuda em sombra verde
o dinheiro sequer deixa um sedimento:
só o coração
cintila em seu triunfo salino
sobre tudo o que soube e agora foi-se
na salinidade do nada.

(Tradução de Leonardo Fróes)

SOBRE O AUTOR



Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...