Mostrando postagens com marcador Bruno Cattoni. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bruno Cattoni. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de abril de 2014

Bruno Cattoni

PRIMEIRO TREINO PARA O VOO INFINITO
Quebrou-se um jarro dentro de meu corpo
A terra fugiu pelos poros
A alma desfolhada ficou imponderável
Como um choro de agonia na madrugada

Esta é minha história
A qual sorte nenhuma ousou se interpor
Esta é a história que fiz
Com mãos, óticas e asas

A carne encontra-se em máxima vitalidade
Amanhã esta mesma se derreterá velozmente
Na vargem das almas que existem — ora, por que não?
E apesar de as negarmos nesta poética chupação de mangas

Esta é a única história que me cabia
A mais recente medida que não valia
Nada ou pouco antes que eu a mensurasse
Esta é a história de uma ação total

Montador de um presépio portentoso
          de mastros, velas e destinos
Aquele que viveu em minhas entranhas
Vejo-o a mijar, mijar e mijar
E vai subindo o nível da urina de ouro...

Esta é uma história no fim
Faltando rodapés, corolários, o glossário
Ainda devo deixar de explicar porque vivi anos diários
E abandonei dias seculares
          ao sabor dos umbrais inabitados
(Conspirações e inconfidências de um caçador de meninas gerais (1992))

[In Roteiro da Poesia Brasileira - anos 80, seleção e prefácio Ricardo Vieira Lima, São Paulo: Global, 2010, p. 132].




Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...