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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Renan Nuernberger


BANDEIRIANA

para Caru

Um dia - disse-lhe, 
muito embora soubesse 
dos riscos — 
disseca-se a esperança,
esta mortalha sem respiro, 
e descobre-se perplexo 
que no meio da 
gangrena
tem muito sangue, sim.

GULLARIANA

idem

de tudo ao meu amor serei 
e mesmo morto de 
cansaço ou fome 
(que contra incêndios e
sequestros não 
há metáforas nem 
saídas) embalarei 
sua noite (cristais 
me ouvem), lhe 
tomarei em meus 
braços (o corpo pende) 
como um cacho de
uvas, uma lembrança 
de infância, um ideal, 
uma semente, um filhote 
de zebra, um exemplar 
de um velho livro, uma 
língua estrangeira.

Mesmo Poemas
Selo Sebastião Grifo
São Paulo, 2010
pp. 50-51



domingo, 21 de outubro de 2012

Renan Nuernberger


SEM TÍTULO (II)
janeiro é um mês vermelhíssimo
tônico, auroral
(tempo de amor e miragem)
embora não seja
o início (o início
mesmo é em março: o mal
que, no norte,
resulta no enterro dos mortos)
ciclicamente é um
istmo
de coalizão solar

queria viver em pleno janeiro
suado, quente
(o coração sem cardeais)
sempre pronto para
a próxima (a próxima
talvez seja a última: ela passa
e onde estou?
na capital do século vinte-e-um?)
incisivamente explosiva
visão
de suas pernas pro ar

Copiado de http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2012/04/renan-nuernberger.html

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Renan Nuernberger

AS COISAS CLARAS

O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
(João Cabral de Melo Neto)


Suponha um copo d’água
e uma sala repleta de luz.
Sobre o tampo d’uma mesa
o copo translúcido atua
suando tranquilo
sua mancha na madeira teca
opaca. Os bichos ciscando
lá fora. Janelas enormes
que ocupam quase
toda a extensão das
paredes da sala. O sol
emanando seus raios
ao pulmão de vidro
em que estou contido.
Escrevo à prova de balas.

Renan Nuernberger nasceu em São Paulo, SP, em 1986. Poeta. Mestrando em Teoria Literária na Universidade de São Paulo com dissertação sobre a poesia brasileira dos anos 1970. Publicou Mesmo poemas (Selo Sebastião Grifo, 2010) com apoio do ProAC e organizou a antologia Armando Freitas Filho por Renan Nuernberger(EdUERJ, 2011) para a coleção Ciranda da Poesia.


Fonte: http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/

Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...