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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Glória de Sant'Anna

POEMA
A água é funda, a água é funda.
Não tem destino que se pressinta.
(O que nos liga são nossas mágoas
e nossas iras.)

A água é grave, a água é grave.
Não há remorso que a dilacere.
(O que nos liga são nossa fome
e nossa espera.)

A água é pura, a água é pura.
Não há segredo que a deteriore.
(O que nos liga são nossas ilhas
e nossos mortos.) 

POEMA AGRESTE
Não sei por que buscas palavras longas
para as coisas breves que nos assombram.

Não sei por que teces teias enormes
para as incertezas que nos envolvem.

Não sei por que insistes. Não sei porque insistes
cm prender meus passos nesse limite.

[In Amaranto, Coimbra, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988, pp. 110-111]



sábado, 14 de junho de 2014

Glória de Sant'Anna

PARALELO
Dentro da água eu sou exacta.

Minhas mãos buscam ( não como defuntas mãos
segurando por acaso translúcidas algas)
mas abandonadas.

Entre a areia lúcida do fundo
e a claridade caíndo predestinada,
meu corpo não é morto
mas se deslassa.

A mesma transparente identidade
brota de mim e da água,
e deslizam indiferentes a nós
pequenos peixes de prata.

A tranquila vaga que me sustém
e onde o meu rosto quieto se alaga,
é tão nítida e simples como eu
que resvalo sem rumo na límpida estrada.

Sem vestido ou lembrança
onde o conhecimento se desfaça,
meu cabelo se alonga
e prossigo descalça.

As nuvens que me perseguem
são de água
e se desdobrarão
no vento que as desata.

[In Amaranto, Coimbra, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988, p. 64]





Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...