Mostrando postagens com marcador Augusto Frederico Schmidt. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Augusto Frederico Schmidt. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Augusto Frederico Schmidt


ALMA
Às vezes eu sinto – minha alma
Bem viva.
Outras vezes porém ando erradio,
Perdido na bruma, atraído por todas as distâncias.

Às vezes entro na posse absoluta de mim mesmo
E a minha essência é alguma coisa de palpável
E de real.
Outras vezes porém ouço vozes chamando por mim,
Vozes vindas de longe, vozes distantes que o vento traz nas tardes mansas.

Sou o que fui ...
Sou o que serei ...

Às vezes me abandono inteiramente a saudades estranhas
E viajo por terras incríveis, incríveis.
Outras vezes porém qualquer coisa à-toa –
O uivo de um cão na noite morta,
O apito de um trem cortando o silêncio,
Uma paisagem matinal,
Uma canção qualquer surpreendida na rua –
Qualquer coisa acorda em mim coisas perdidas no tempo
E há no meu ser uma unidade tão perfeita
Que perco a noção da hora presente, e então

Sou o que fui.
E sou o que serei.

Coleção Melhores Poemas, seleção de Ivan Marques, Global Editora: São Paulo, 2010, pp. 41-42


sábado, 27 de outubro de 2012

Augusto Frederico Schmidt

A POESIA CHEGOU
Ó demônios que em mim tendes guarida,
Ó abismos escuros e traiçoeiros,
Que me chamais e que me seduzis:
Vede, aqui estou perdido na Poesia!

Vede, mal não chegou, e nela eu fico,
Como o ser natural nos seus domínios,
Como o pássaro no ar e os peixes nágua,
Como o ente amoroso em seus amores.

Vede, a Poesia em mim, me transfigura,
E vós, tredos abismos e demônios,
Vosso poder perdeis, de vós me aparto.

E o que tanto a minha alma seduzia,
Nada mais pode, nada mais encanta,
Quando a Poesia vem e me reclama. 


Coleção Melhores Poemas, seleção de Ivan Marques, Global Editora: São Paulo, 2010, p. 122

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Augusto Frederico Schmidt

ESTRELA SOLITÁRIA
Ó Estrela solitária nos céus!
Ó Estrela que o mar parece convidar
Para um encontro impossível!
Ó Estrela impassível,
Estrela dos abismos, Estrela dos abismos!
Há quanto desafias o tempo!
Há quanto esperas o fim dos tempos!
Estrela, que o mar convida
Para um encontro fatal,
Por que nos olhas assim, tão tristemente?
A nós, tu pareces, solitária Estrela,
A imagem de um desespero sem forma,
A imagem de uma suprema tristeza.
Em torno de ti está o silêncio, o grande silêncio;
Em torno de ti está o frio irreparável.
Não descerás jamais aos móveis abismos,
Ó Estrela dos abismos!
Ficarás com a tua viva luz,
Enfeitando as estradas sem termo.
As frias flores, salvas da morte,
Estão dançando nos caminhos do céu.

Ó Estrela fonte da glória dos mundos,
Estrela dos abismos, Estrela dos abismos!

Poesia - Estrela solitária do meu céu!

In Coleção Melhores Poemas, seleção de Ivan Marques, Ed. Global: são Paulo, 2010, p. 83

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Augusto Frederico Schmidt

PELAS LARGAS JANELAS ENTRA A NOITE
Pelas largas janelas entra a noite quieta e um cheiro de frutos maduros,
Pelas janelas abertas chega até nós um perfume frio de estrelas.
Pelas janelas abertas penetra a mansa poesia dos caminhos, das
viagens noturnas com pássaros dormindo nas ramadas…
Oh!o sossego do lampião na mesa tosca,
E o sorriso do amor sobre os postais da parede!
Onde a música não chega, aí estaremos.
Onde o repouso se estender nascendo pelas madrugadas aí estaremos.
Estaremos confundidos pelos ramos virginais e pela nudez das campinas.
Estaremos misturados com os passarinhos das cercas.
Os ruídos dos trens cortarão nossos ouvidos.
Mas as nostalgias não estarão mais em nós,
Porque seremos simples como a noite,
Como a grande noite resinosa e infinita.

Coleção Melhores Poemas, seleção de Ivan Marques, Global Editora: São Paulo, 2010, p. 100

Augusto Frederico Schmidt

FOI A ESTRELA …
Foi a estrela, a última estrela no céu;
Foi o galo, foi a Rosa da Manhã,
Foi um cheiro de carne pálida,
Foi um perfume de cabelos em flor,
Foi o som de uma voz
Que de repente voltou de muito longe,
Foi um silêncio, uma pausa, um esquecimento,
Um abandono, uma janela aberta.
Foi o coração distraído,
Foi uma fraqueza, sem dúvida,
Foi um gesto perdido que se repetiu sem querer,
Foi o acaso, o imprevisível
Que permitiu à tímida esperança
Voltar por um momento,
Viver por um instante,
Respirar em mim de novo brandamente
Depois do exílio, do duro exílio para sempre!

In Coleção Melhores Poemas, seleção de Ivan Marques, Ed. Global: são Paulo, 2010, p. 168

Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...