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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Walt Whitman


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Basta! Basta! Basta!
Por alguma razão estou atormentado. Afastai-vos!
Dai-me algum tempo além de minha cabeça esbofeteada, do sono, dos sonhos, das fissuras,
Descubro que estou à beira de cometer um erro comum.

Que eu pudesse esquecer os que zombam e insultam!
Que eu pudesse esquecer as lágrimas que escorrem e as pancadas das clavas e martelos!
Que eu pudesse olhar com um olhar isolado a minha própria crucificação e coroação sangrenta.

Lembro-me agora,
Retomo a fração que ficou além do tempo,
O túmulo de pedra multiplica o que foi a ele confiado, ou a quaisquer túmulos,
Corpos se erguem, feridas se fecham, grilhões rolam de mim.

Marcho adiante restabelecido com poder supremo, sou um no meio de uma procissão normal e infindável.
Pela terra e ao longo da costa prosseguimos e passamos por todas as linhas fronteiriças,
Nossos batalhões ligeiros a caminho, espalhados pela terra inteira,
As flores que levamos em nossos chapéus cresceram durante mil anos.

Discípulos, eu vos saúdo! Avançai!
Continuai vossas anotações, prossegui com vossos questionamentos.

[In Flores de Relva, 2006, trad, de Luciano Alves Meira]

sábado, 15 de agosto de 2015

Walt Whitman

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Ó estrela ocidental navegando pelo céu,
Agora sei o que deves ter procurado me dizer há cerca de um mês,
[quando passei,
Quando andei em silêncio na noite sombria e transparente,
Quando te vi tinhas algo para contar-me, quando te curvaste em
[minha direção, noite após noite,
Quando caíste do céu bem abaixo, como se viesses para o meu lado
[(enquanto todas as demais estrelas observavam),
Quando perambulamos juntos pela noite solene (pois algo que não
[conheço impediu-me de dormir),
Quando a noite avançava e vi na borda do ocidente quão repleta de
[pesar tu estavas,
Quando fiquei de pé no chão saliente, na brisa, na noite fria e transparente,
Quando vi que tinhas algo a me dizer, quando te inclinaste em
[minha direção, noite após noite,
Quando minha alma atormentada afundou na insatisfação, e tal
[como tu, triste orbe,
Findou, caiu na noite, e se foi.

9
Permanece a cantar aí no brejo,
Ó cantor acanhado e gentil, ouço tuas notas, ouço teu chamado,
Ouço, venho agora, compreendo-te,
Mas por um momento deixo-me ficar, pois que a estrela lustrosa
[me deteve,
A estrela, meu companheiro que parte, me abraça e me detém.

[In Folhas da Relva, trad. Luciano Alves Meira, São Paulo, Martin Claret, 2006, pp. 328-329].




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Walt Whitman

MURMÚRIOS DA MORTE CELESTIAL
Murmúrios da morte celestial sussurrados ouvi,
Conversa labial da noite, coros sibilantes,
Passos ascendendo suavemente, aragens místicas vogavam amenas e
baixo,
Ondulações de rios invisíveis, marés de uma corrente a fluir, sempre
a fluir,
(Ou será o salpicar de lágrimas? as ilimitadas águas das lágrimas
humanas?)

Vejo, vejo exatamente em direção ao céu, imensas massas de nuvens,
Lugubremente devagar elas flutuam, silenciosamente dilatando-se
e mesclando-se,
Com às vezes uma entristecida estrela, remota e semi-eclipsada.
Aparecendo e desaparecendo.

(Provavelmente algum parto, algum nascimento solene e imortal;
Impenetrável sobre as fronteiras para os olhos,
Alguma alma está passando por cima.)

[In Grandes Poetas da Língua Inglesa do século XIX, Organização e tradução de José Lino Grünewald, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988, p. 103].


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Walt Whitman

CANÇÃO PELO TEMPO DE LILÁS
Cantai para mim, agora, a alegria do tempo de lilás (voltando à
[memória),
Escolhei para mim, ó língua e lábios, em nome da natureza, souvenirs
[do princípio de verão, 
Juntai os sinais bem-vindos (como as crianças com ágatas ou conchas
[penduradas
Colocai em abril ou em maio, as pererecas coaxando nos açudes, o
[ar elástico,
Abelhas, borboletas, o pardal com notas simples,
O azulão e a andorinha que se arremessam, sem esquecer o buraco-
[alto cintilando suas asas douradas, 
A tranquila névoa solar, a fumaça que sobe, o vapor,
O tremeluzir das águas com os peixes dentro delas, o azul celeste
[acima,
Tudo o que é aprazível e brilhante, os riachos correndo,
As florestas de carvalho silvestre, os cintilantes dias de fevereiro e
[a fabricação de açúcar,
O pisco de peito ruivo no lugar em que dança, com olhos brilhantes
[e peito marrom, 
Com um chamado musical claro na alvorada e, novamente, no
[crepúsculo,
Ou esvoaçando entre as árvores do pomar de macieiras, construindo
[o ninho de seu par,
A neve derretida de março, o salgueiro emitindo seus brotos amarelos
[esverdeados,
Pois o tempo da primavera é aqui! O verão é aqui! E o que é isso
[em si mesmo e de si? 
Tu, alma, presa — a inquietação de ir atrás de algo que não sei; 
Vem! não nos atrasemos mais por aqui, que possamos subir e ir
[embora!
Ó se alguém pudesse apenas voar como um pássaro! 
Ó escapar, para navegar como em um navio!
Deslizar contigo, ó alma, sobre tudo, em tudo, como um navio
[sobre as águas;
Reunindo esses sinais, os prelúdios, o céu azul, a relva, as gotas de
[orvalho matinal,
O perfume de lilás, os arbustos com folhas verde-escuras em forma
[de coração,
Violetas, os pequenos botões delicados e pálidos chamados inocência, 
Exemplos e tipos não por si mesmos, mas para a sua atmosfera, 
Para agraciar o arbusto que amo — para cantar com os pássaros, 
Uma canção pela alegria do tempo de lilases, voltando à memória.

In Folhas da Relva, trad. Luciano Alves Meira, São Paulo, Martin Claret, 2006, pp. 372-373.



Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...