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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Manuel Fernando Alves

Poema E
O ângulo onde a arvore baloiça
E o exacto lugar do sono a sombra
O centro do mundo e em qualquer parte
E tudo existe la fora
Por não caber cá dentro
Por isso se avista a vida a retalho
E cada momento um recomeço
E cada lembranca uma praga
O copo de água sobre a mesa
Sorvendo o futuro pela sede
De serem longos os dias
E o preco do vinho pela hora da morte

Poema D
Vou ter de forçar este poema
Deve haver uma cegueira de muita luz
E muitos poetas escrevendo ao mesmo tempo
De se entupir a mente de Deus
A palavra amor um guardachuva revirado pelo vento
Tão doce o sumo da romã
Dedilhado o fruto através da dúvida
Faltam cinco versos em forma
Engrossando folha a folha o outono da minha mente
E Dickens tem de pagar a conta do talho
Não há maneira de lá chegar sem
Esmolas da História o preso habituado as algemas

[Publicados com licença do autor]. 



terça-feira, 5 de agosto de 2014

Manuel Fernando Alves

CURSOS 3
O ser humano é um erro de se romper o papel
Um palavreado poético mas sem rima
Um ideal nobre em que a nobreza é mentira
Não há incrementos históricos de melhoramento
E o passado não é escola nem livro aberto
O passado é ter havido gente de má fé
O mesmo punhal derrama e junta todo sangue

3/8/2014

CURSOS 2
São mais bulidas as folhas através da ira
Em que o vento é o eterno retorno das promessas
Em que tudo que existe permanece como possibilidade
E toda ansiedade é a justiça ofegante
Coma cão abandonado a milhas
De regresso a casa
Reparando o crime com sua baba

3/8/2014

CURSOS 1
O pensamento mais puro o curso de água sem rio
O espaço entre um verso e outro
Onde as palavras respiram
Ou existir simplesmente dentro da tarde
Onde nada tem nome nem forma
Onde a aparição das palavras é o ângulo certo da luz
O pensamento mais puro

3/8/2014

METADES 20
Escrever sempre também cansa
E a passividade da assistência requer
Dos actores mais trabalho clínico de persuação
E a leitura a forma mais barata de adormecer
E o melhor sono nessa fronteira onde do palco
Se desce pelas pálpebras toda mentira escarrada

Toda cena depende da criação do ambiente
Uma cena não pode ser a isolação da imagem
Mas mais a actividade mental dos presentes
Disfarçada pela sua inércia de tentáculos
Pois não é pelos movimentos manuais do maestro
Que se pendura a orquestra do silêncio de quem escuta
Todo maestro é sempre o bobo da festa

[Inéditos publicados com permissão do autor.
Todos os direitos reservados]. 


Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...