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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rosalía de Castro

Nasci quando as plantas nascem
no mês das flores nasci,
n’uma alvorada mansinha,
n’uma alvorada de abril.
Por isso me chamam Rosa,
mas a do triste sorrir,
com espinhos pra todos,
sem nenhum pra ti.
Desde que te quis, ingrato,
tudo acabou pra mim,
pois tu pra mim eras tudo,
minha glória e meu viver.
De quê, pois, te queixas, Mauro?
De quê, pois, te queixas, diz,
quando sabes qu’eu morreria
pra te contemplar feliz?
Duro cravo m’encravaste
com esse teu maldizer,
com esse teu pedir tolo
pois não sei o que queres de mim.
Dei-te quanto dar pude,
avarenta de ti,
o meu coração te mando 
c’uma chave pra abrir.
Nem eu tenho mais que te dar, 
nem tu mais que me pedir.

[In A Rosa dos claustros, Poesia galela selecionada,  Tradução e notas Andityas Soares de Moura, Belo Horizonte, Ed. Crisálida, 2004, p. 49]

Sobre Rosalía de Castro

Biografia Completa



Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...