Mostrando postagens com marcador Paulo Leminski. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Leminski. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de outubro de 2013

Paulo Leminski

ROSA RILKE RAIMUNDO CORREIA

Uma pálpebra,
mais uma, 
mais outras, 
enfim, dezenas de pálpebras sobre pálpebras 
tentando fazer 
das minhas trevas 
alguma coisa a mais 
que lágrimas

Sobre Paulo Leminski

In Melhores Poemas Paulo Leminski, seleção Fred Góes Álvaro Marins, São Paulo, Global, 2002, p. 133

Roberto van der Ploeg

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Paulo Leminski

ADMINIMISTÉRIO
Quando o mistério chegar,
já vai me encontrar dormindo,
metade dando pro sábado,
outra metade, domingo.
Não haja som nem silêncio,
quando o mistério aumentar.
Silêncio é coisa sem senso,
não cesso de observar.
Mistério, algo que, penso,
mais tempo, menos lugar.
Quando o mistério voltar,
meu sono esteja tão solto,
nem haja susto no mundo
que possa me sustentar.

Meia-noite, livro aberto.
Mariposas e mosquitos
pousam no texto incerto.
Seria o branco da folha,
luz que parece objeto?
Quem sabe o cheiro do preto,
que cai ali como um resto?
Ou seria que os insetos
descobriram parentesco
com as letras do asfabeto?

Paulo Leminski, Col. Melhores Poemas, Sel. Fred Góes e Álvaro Martins, 6a. ed., São Paulo: Global, 2002, p. 107

sábado, 1 de setembro de 2012

Paulo Leminski

NOMES A MENOS 
    Nome mais nome igual a nome,
uns nomes menos, uns nomes mais.
    Menos é mais ou menos,
nem todos os nomes são iguais.

    Uma coisa é a coisa, par ou ímpar,
outra coisa é o nome, par e par,
    retrato da coisa quando límpida,
coisa que as coisas deixam ao passar.

    Nome de bicho, nome de mês, nome de estrela,
nome dos meus amores, nomes animais,
    a soma de todos os nomes,
nunca vai dar uma coisa, nunca mais.

    Cidades passam. Só os nomes vão ficar.
Que coisa dói dentro do nome
    que não tem nome que conte
nem coisa pra se contar?


VOLTA EM ABERTO 
    Ambígua volta
em torno da ambígua ida,
    quantas ambiguidades
se pode cometer na vida?
    Quem parte leva um jeito
de quem traz a alma torta.
    Quem bate mais na porta?
Quem parte ou quem torna?

Paulo Leminski, Col. Melhores Poemas, Sel. Fred Góes e Álvaro Martins, 6a. ed., São Paulo: Global, 2002, pp. 118-119




quinta-feira, 28 de junho de 2012

Paulo Leminski

Por um lindésimo de segundo 
       tudo em mim
anda a mil
       tudo assim
tudo por um fio
       tudo feito
tudo estivesse no cio
       tudo pisando macio
tudo psiu

       tudo em minha volta
anda às tontas
       como se as coisas
fossem todas
       afinal de contas


Minifesto 
        ave a raiva desta noite
a baita lasca fúria abrupta
        louca besta vaca solta
ruiva luz que contra o dia
        tanto e tarde madrugastes

        morra a calma desta tarde
morra em ouro
        enfim, mais seda
a morte, essa fraude,
        quando próspera

        viva e morra sobretudo
este dia, metal vil,
        surdo, cego e mudo,
nele tudo foi e, se ser foi tudo,
        já nem tudo nem sei
se vai saber a primavera
        ou se um dia saberei
que nem eu saber nem ser nem era


(do livro Distraídos Venceremos)

Fonte: pauloleminskipoemas.blogspot.com

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Paulo Leminski

A LUA NO CINEMA
A lua foi ao cinema
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste
- Amanheça, por favor!

(Do livro Distraídos venceremos)
Fonte: lectusexlibris.blogspot.com.br/

Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...