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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Paul Auster

Noite, como que um gosto
por dentro. E de nós, cada mentira
que a língua saberia
quando se recolhe e afunda
em seu veneno.
Dormiríamos, lado a lado
com tal fome, e neste fruto,
nossa luta, viraríamos o nome
do que nomeamos. Como se um crime, sonhado
por nós, pudesse maturar a frio — e derrubar
as negras árvores, espinhos, 
que drenam a história dos astros.

[Todos os poemas, Tradução e prefácio de Caetano W. Galindo, São Paulo, Companhia das Letras, 2004, p.71].


domingo, 28 de dezembro de 2014

Paul Auster

SOMBRA A SOMBRA
Contra a fachada do crepúsculo:
sombras, fogo e silêncio.
Nem mesmo o silêncio, mas seu fogo
a sombra
que projeta uma respiração.

Por penetrar o silêncio deste muro,
tenho de me deixar para trás.

PROVENCE: EQUINÓCIO
Clara-noite: o osso e o alento
transparentes. Essa jornada
de céu ofertado
para o centro do céu
que habitamos — uma montanha
no ar que desmorona.

Tu, só
dorme-te no fundo
deste ponto,
terra natimorta, como se pudesses sonhar
tão longe
por me dizer da densa, relameada semente
que arde em nós,
e acalmar a lenta, vernal agonia
que lida
no longo processo de arrancar pela raiz
as estrelas.

[Fonte: Todos os poemas, Tradução e prefácio de Caetano W. Galindo, São Paulo, Companhia das Letras, 2004, pp. 163-165].

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Paul Auster

LUZES DO NORTE
São essas as palavras
que não sobrevivem ao mundo. E dizê-las
é sumir

no mundo. Inabordável
luz
que pulsa sobre a terra, ateando
o breve milagre

do olho aberto —

e o dia que se há de abrir
como um fogo de folhas
no primeiro vento gélido
de outubro

consumindo o mundo

na fala clara
do desejo.


[Fonte: Todos os poemas, Tradução e prefácio de Caetano W. Galindo, São Paulo, Companhia das Letras, 2004, p. 147].


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Paul Auster

CLANDESTINO
Lembra hoje comigo — a palavra
e a contrapalavra
de testemunho: aurora tátil, emergindo
de meu punho cerrado: a garra
ciliar do sol: o trecho de trevas
que escrevo
na mesa do sono.

Agora
é o tempo por-vir.
Tudo que vieste
levar de mim, leva
de mim agora. Não
esqueças
de esquecer. Enche
teus bolsos de terra,
e sela a boca
de minha gruta.

Foi lá
que minha vida
sonhou-se um sonho
de fogo.

[Fonte: Todos os poemas, Tradução e prefácio de Caetano W. Galindo, São Paulo, Companhia das Letras, 2004, p. 277].


Paul Cézanne



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Paul Auster

Ébrio, o branco guarda sua força,
Quando dormes, ébrio de sol, qual semente
Que perde o alento
Sob o solo. Sonhar no cio
Todo o calor
Que infesta o equilíbrio
De uma mão, que germina
O milagre do seco...
Em cada ponto que deixaste
Os lobos enlouquecem
Com as folhas que não falam.
Morrer. Acolher fulvos lobos
Que arranham as portas: uivos
Na folha — ou dormes, e o sol
Jamais verá seu fim.
É verde onde respiram sementes negras.

[Fonte: Todos os poemas, Tradução e prefácio de Caetano W. Galindo, São Paulo, Companhia das Letras, 2004, p. 43].

Sobre Paul Auster

Jennifer Smith Greene

Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...