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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Tadeusz Różewicz

QUEM É O POETA

Poeta é aquele que escreve poemas
e aquele que não escreve poemas

poeta é aquele que arrebenta grilhões
e aquele que coloca grilhões em si próprio

poeta é aquele que crê
e aquele que não consegue crer

poeta é aquele que mentiu
e aquele que foi iludido

poeta é aquele que comeu da mão
e aquele que decepou as mãos

poeta é aquele que parte
é aquele que não consegue partir 

O RETORNO DO POETA

Adormeci
como um jovem

caia a neve na noite

acordei como
um velho poeta

entre nós
havia um prado verde
coberto de cinzas

sonhei estar escrevendo poemas

nos jardins aparados da poesia
novamente apareceram anões
rosas e linguistas

Majero su nariz...
y su vida
ri-me despreocupado
ela consertou o nariz...
e a sua vida

Sonhei que lia poesias
no México
que Janek Zich
com um colibri sobre a cabeça
fala espanhol

Vi
o dourado Tepotzotlán
refletiu-se nos espelhos 
dia e noite
caía gota a gota
no oceano no céu

Voei sobre o Atlântico
numa mala de coletânea de poesias
Face
creme de barbear giletes
salame papel higiênico
algodão óleo café envelopes
meias malhas cigarros
anel de prata
deus chuvas sabão
fósforos do hotel El Presidente
endereços você tem asas
pule
acordado
lia anônimos
esqueci-me
o que é a poesia
outros poetas escreviam
os meus poemas

[In Céu Vazio: 63 Poetas Eslavos, organização, estudo introdutório, notas biográficas e tradução Aleksandar Jovanović, São Paulo, Hucitec, 1996]




domingo, 3 de novembro de 2013

Tadeusz Różewicz

Entre os muitos
e tão urgentes afazeres
eu me esqueci
de que também é preciso morrer

irresponsavelmente
negligenciei esta obrigação
ou a assumi de forma superficial

a partir de amanhã
tudo mudará

Cuidadosamente começarei a morrer
com inteligência e otimismo
sem perder um só instante

Sobre Tadeusz Różewicz




Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...