Mostrando postagens com marcador José De Arimatéia Silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José De Arimatéia Silva. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

José De Arimatéia Silva

LÁZARO RESSUSCITADO

Não é a mente o continente do mundo.
Que hora tão triste e que tarde sem aragem.
Os olhos redivivos miraram mais uma vez
A luz do mundo;
(Quatro dias como quatro estações)
Por trás do sudário que lhe cobria o rosto
Lázaro, sequer, chorou
Como quando, saído do ventre de sua mãe,
foi apartado daquela umbilical atadura.
Apartadas essas, agora, que lhe prendiam os pés
Caminhou insepulto
E, talvez, procurou pela voz que lhe ordenara
gravemente
Sair da gruta escura onde apodrecera
e desligar-se da morte.
Ou, então (nós não compreendemos o mundo)
Lázaro chorou copiosamente.
O cheiro das oliveiras e o deserto ao longe,
os gritos de suas irmãs.
Retornado do ventre da terra,
sob a luz indecifrável de um sol jamais visto,
Os olhos voltados para Jerusalém,
Lázaro chorou,
Porque a vida é um caminho sem volta.

Fonte: Blog Iluminuras

By Jose Casado del Alisal




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

José De Arimatéia Silva

VIADUTO DO CHÁ
Dizia minha pobre mãe que o tempo muda de direção.
A infância que perdi.
A juventude que também perdi;
o velho cão asmático.
Havia um riacho cheio de peixes translúcidos;
e a grama coberta pela geada.
O automóvel azul.
Eu guardei segredos,
guardei moedas que já não tem valor.
O medo, o espasmo.
O primeiro amor que nunca veio.
Curau de milho.
Chumbo derretido sobre a placa de zinco.
As casas inacabadas;
pequenos prêmios em palitos de sorvete.
Surpresas e goiabas.
As palmeiras imperiais que indiferentes me fitam
quando cruzo o Viaduto do Chá,
no tempo em que o tempo muda de direção.

O CISNE NEGRO, O ORNITORRINCO, O RELÓGIO PARADO
O que não se apresenta de maneira habitual;
o que é incomum; o que é raro. Isso. É o insólito.

A casa azul subitamente vista na colina verdejante.
O morcego que rasante passa pelo quarto em silêncio.
O cisne negro, o ornitorrinco, o relógio parado.

No campo de flores vermelhas a cobrir a planície,
o lagarto, a ave de rapina, a cascavel que espreita um rato.

Por Carolin Vdg

Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...