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sábado, 23 de novembro de 2013

Tahar Ben Jelloun

Minha voz rompida parava no esboço desesperado da ausência
palavra anulada
quando nossas mães nos carregavam nas costas
nos campos
e até o cemitério
nossas mães resignadas procuravam em nós a infância

Nus em nossa solidão
fazíamos buracos no asfalto
até o dia em que o tempo parou na ponta do nosso despertar.

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Ma voix rompue s’arrêtait en tracé désespéré de l’absence 
nulle la parole
quand nos mères nous portaient sur le dos 
dans les champs 
et jusqu’au cimetière
nos mères résignées cherchaient en nous l’enfance

Nus dans notre solitude
nous faisions des trous dans l’asphalte
jusqu’au jour où le temps s’arrêta sur la pointe de notre réveil.
(Cicatrices du soleil)

In Poetas do Mundo - As cicatrizes do Atlas, seleção, tradução e introdução de Cláudia Falluh Balduino Ferreira, Brasília, Ed. UNB, 2003, pp. 46-47. 


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Tahar Ben Jelloun

Sou um menino que zomba da inocência

Fui nutrido com o leite da esfinge
e cedo carreguei uma aranha no fígado em voz baixa

Gerei a cidade das trevas humilhadas
e voltado para mim mesmo
serpente sem cabeça, fiel ao sol

Provoquei o astro obsceno do mestre e do Imã
e o maculei de sangue no pátio dos milagres
o astro das areias que se apagou pela manhã
e me deparei com o Livro ao contrário

Tomei o trem para fomentar as turvações na água
estagnada
do sono ancestral
sacudi os carvalhos
e vi a morte rir escondido diante do espetáculo das cabeças
que caíam
Minha voz rompida parava no esboço desesperado da ausência 
palavra anulada
quando nossas mães nos carregavam nas costas 
nos campos 
e até o cemitério
nossas mães resignadas procuravam em nós a infância

Nus em nossa solidão 
fazíamos buracos no asfalto
até o dia em que o tempo parou na ponta do nosso despertar.

In Poetas do Mundo - As cicatrizes do Atlas, seleção, tradução e introdução de Cláudia Falluh Balduino Ferreira, Brasília, Ed. UNB, 2003, pp. 44-45. 


Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...