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domingo, 13 de julho de 2014

Gregório Duvivier

num dia ensolarado, eu disse,
você pode ouvir o big bang até
hoje, eu li num jornal, até hoje,
é um barulho ensurdecedor, eu
disse, mas como é, você disse,
como é que não estamos ouvindo
nada agora, você disse, mas nós
estamos ouvindo ele agora, eu
disse, só não estamos escutando,
porque sempre ouvimos, desde
pequenos, mas se ouvíssemos
agora pela primeira vez seria
ensurdecedor, eu disse, e você
de repente disse, e eu nunca
me esqueci, disse que talvez por
isso as pessoas não se entendam
direito, por causa do estrondo,
e nós voltamos a ouvir música,
e ninguém disse mais nada.

(e eu pensei: talvez por isso
a música — para calar o estrondo)

[In Ligue os pontos poemas de amor e big bang, Companhia das Letras, São Paulo, 2013, p. 55].



sábado, 28 de junho de 2014

Gregório Duvivier

a baía de guanabara é uma sopa de óleo
diesel detritos ferramentas sal de lágrimas
e a saudade dos que já partiram — quando
atingimos seu vórtice devemos jogar cinzas
anéis e outros restos mortais de uma pessoa
a ser engolida pelos deuses subaquáticos
pois para isso cariocas fomos feitos — para
salgar esse imenso caldo que nos banha.

[In Ligue os pontos poemas de amor e big bang, Companhia das Letras, São Paulo, 2013, p. 35].

SOBRE GREGÓRIO DUVIVIER



Fernando Paixão

  Os berros das ovelhas  de tão articulados quebram os motivos.   Um lençol de silêncio  cobre a tudo  e todos. Passam os homens velho...