O PODADOR
Devagar a tesoura poda o arbusto
tornando-o de realidade em desejo
da forma. O que me atrai, a flor,
a folha de fuligem, os troncos curvos
para os pardais escuros e ocultos.
Devagar os ramos caem e os que o
podador despreza vão entrar na gé-
nese da nova terra. É inevitável
que tudo isto me crie nostalgia.
Não há um estalido simples, corte só,
nem morte só, a morte daqueles
ramos estendidos pelo gradeamento
a viver naturalmente entretanto.
O podador escolhe assim a aparên-
cia da obra que devagar executa,
na ordem e no capricho da folhagem
para sempre jovem e ágil.
Carcavelos, 1985
[In Obra Breve Poesia Reunida, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006, pp. 463].
terça-feira, 8 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Maria Lúcia Dal Farra
A MÃO
Como é raso o entendimento da vida:
planícies com disciplinados desníveis
em organizados degraus
(poucos, aliás);
um ou outro pequeno grupo
à espera de milagres;
céu de cenário indicando bem-estar
— e (todavia)
eu,
no meu instrumento de tortura
que me penetra de alto a baixo,
cetro soberano
a suspender a outra versão de mim
(cabelos que destampam o rosto fácil)
e a grande mão que estendo
(de benevolência)
para as esperanças frugais.
Pareço por acaso
comodamente instalada na minha
temperança?
[In Alumbramentos, São Paulo, Iluminuras, 2011, p. 74].
Como é raso o entendimento da vida:
planícies com disciplinados desníveis
em organizados degraus
(poucos, aliás);
um ou outro pequeno grupo
à espera de milagres;
céu de cenário indicando bem-estar
— e (todavia)
eu,
no meu instrumento de tortura
que me penetra de alto a baixo,
cetro soberano
a suspender a outra versão de mim
(cabelos que destampam o rosto fácil)
e a grande mão que estendo
(de benevolência)
para as esperanças frugais.
Pareço por acaso
comodamente instalada na minha
temperança?
[In Alumbramentos, São Paulo, Iluminuras, 2011, p. 74].
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| SALVADOR DALI |
domingo, 6 de abril de 2014
Paulo Plínio Abreu
ELEGIA EM 1941
Ouço o teu canto estranha amada das regiões perdidas.
Teus cabelos desfeitos têm o encanto dos sonhos
Eu um dia te vi brilhar como as estrelas do fundo da infância
Hoje eu te sigo os olhos pelos mares e vejo os arco-iris
Estranha amada que um dia cantou no tempo desaparecido
As estrelas nasciam e doente eu bebia a água fria das grutas.
Um dia eu te ouvi.
Teu canto é puro e se mistura com o rumor do mar e nos convida
Teu canto é triste como os navios da morte.
Tua voz é grande como as boias que nos habitaram
Teus olhos são como as estrelas.
Estranha amada. Ouço o teu canto e sinto-me perdido.
Para onde me levarás na grande noite triste quando depois dos grandes
sonhos a lua desaparecer no céu?
[In Poesia, Belém, Universidade Federal do Pará, Belém, 2008, p. 63]
Ouço o teu canto estranha amada das regiões perdidas.
Teus cabelos desfeitos têm o encanto dos sonhos
Eu um dia te vi brilhar como as estrelas do fundo da infância
Hoje eu te sigo os olhos pelos mares e vejo os arco-iris
Estranha amada que um dia cantou no tempo desaparecido
As estrelas nasciam e doente eu bebia a água fria das grutas.
Um dia eu te ouvi.
Teu canto é puro e se mistura com o rumor do mar e nos convida
Teu canto é triste como os navios da morte.
Tua voz é grande como as boias que nos habitaram
Teus olhos são como as estrelas.
Estranha amada. Ouço o teu canto e sinto-me perdido.
Para onde me levarás na grande noite triste quando depois dos grandes
sonhos a lua desaparecer no céu?
[In Poesia, Belém, Universidade Federal do Pará, Belém, 2008, p. 63]
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Else Lasker-Schüler
MINHA CANÇÃO, MEU SILÊNCIO
Meu coração é um tempo triste,
Num tique-taque emudecido.
Minha mãe tinha asas douradas,
Que não encontravam mundo.
Ouçam, ela se pôs a minha procura,
Com seus dedos de luz e pés de sonho errante.
E o tempo bom que brisa azul
Sempre aquece meu sono
Nas noites,
Cujos dias usam a coroa de minha mãe.
Bebo da lua o vinho tranquilo,
Quando a noite cai só.
Minhas canções tinham do verão os azuis
E voltavam sombrias para casa.
De meu lábio vocês debochavam,
Mas ainda falam com ele.
Sim, tentei segurar suas mãos,
Pois meu amor é uma criança e quer brincar.
O primeiro, tomei-o de vocês,
E também o segundo, beijei-o,
Mas meus olhares se voltam para trás
Na direção de minha alma.
Tornei-me pobre
De seus favores mendicantes.
Ignorava o estar doente,
E agora estou doente de vocês,
E nada é mais furtivo que a doença,
Que da vida quebra os pés,
Rouba a luz ao caminho da cova
E difama a morte.
Meu olho
É o cume do tempo,
Seu brilho beija
As barras de Deus.
E ainda vou dizer mais,
Antes que entre nós escureça.
Se, entre todos, você for o mais jovem,
Saberá do que em mim é o mais antigo.
Os mundos todos brincarão
De agora em diante em tua alma.
E a noite vai se queixar
Ao dia.
Sou o hieróglifo
Sob toda criação.
E saí a vocês,
Em causa da saudade por causa do humano.
Arranquei de meus olhos os evos do olhar,
De meus lábios, a luz vitoriosa —
Pense num prisioneiro mais difícil,
Num mago mais malvado: eis-me aqui.
Meus braços, na querença de se erguer,
Tombam...
[Tradução de Mauricio Mendonça Cardozo, In Belas Infiéis, Revista do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Nacional de Brasília, v. 1, n. 1, p. 203-209, 2012].
Meu coração é um tempo triste,
Num tique-taque emudecido.
Minha mãe tinha asas douradas,
Que não encontravam mundo.
Ouçam, ela se pôs a minha procura,
Com seus dedos de luz e pés de sonho errante.
E o tempo bom que brisa azul
Sempre aquece meu sono
Nas noites,
Cujos dias usam a coroa de minha mãe.
Bebo da lua o vinho tranquilo,
Quando a noite cai só.
Minhas canções tinham do verão os azuis
E voltavam sombrias para casa.
De meu lábio vocês debochavam,
Mas ainda falam com ele.
Sim, tentei segurar suas mãos,
Pois meu amor é uma criança e quer brincar.
O primeiro, tomei-o de vocês,
E também o segundo, beijei-o,
Mas meus olhares se voltam para trás
Na direção de minha alma.
Tornei-me pobre
De seus favores mendicantes.
Ignorava o estar doente,
E agora estou doente de vocês,
E nada é mais furtivo que a doença,
Que da vida quebra os pés,
Rouba a luz ao caminho da cova
E difama a morte.
Meu olho
É o cume do tempo,
Seu brilho beija
As barras de Deus.
E ainda vou dizer mais,
Antes que entre nós escureça.
Se, entre todos, você for o mais jovem,
Saberá do que em mim é o mais antigo.
Os mundos todos brincarão
De agora em diante em tua alma.
E a noite vai se queixar
Ao dia.
Sou o hieróglifo
Sob toda criação.
E saí a vocês,
Em causa da saudade por causa do humano.
Arranquei de meus olhos os evos do olhar,
De meus lábios, a luz vitoriosa —
Pense num prisioneiro mais difícil,
Num mago mais malvado: eis-me aqui.
Meus braços, na querença de se erguer,
Tombam...
[Tradução de Mauricio Mendonça Cardozo, In Belas Infiéis, Revista do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Nacional de Brasília, v. 1, n. 1, p. 203-209, 2012].
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| Henry Fuselli |
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Cláudio Willer
CENAS DA VIDA URBANA
VI
Tua ausência é um líquido azulado que escorre pelas cavernas da imaginação. Um povo de gigantes sustenta os polos da memória, o cogumelo das nuvens prepara-se para a autodevoração, sístoles e diástoles ressoam pelos labirintos da vida. Catedrais começam a rolar pela encosta, e a cegueira dos pulmões nos leva a nada. Sem memória nos emaranhamos em fios de decadência.
Uma sinfonia sutil, soando a partir do meu pé esquerdo, leva-me à levitação. Nomear teu nome é romper o equilíbrio da balança: miríades de horticultores, enlouquecidos, passariam a dedicar-se à predação.
A consagração era prevista: chegará a hora das colisões. Meu infinito pessoal recolhe as imagens da mão do cadáver; pouca coisa nos resta: alguns espiões, um retângulo, a hesitação sem fronteiras. É preciso sair, o quanto antes, das campânulas que circundam o abismo.
Dias circulares (1976)
[In: Roteiro da Poesia Brasileira - anos 60, seleção e prefácio Pedro Lyra, São Paulo: Global, 2011, p. 106].
Sobre Cláudio Willer
VI
Tua ausência é um líquido azulado que escorre pelas cavernas da imaginação. Um povo de gigantes sustenta os polos da memória, o cogumelo das nuvens prepara-se para a autodevoração, sístoles e diástoles ressoam pelos labirintos da vida. Catedrais começam a rolar pela encosta, e a cegueira dos pulmões nos leva a nada. Sem memória nos emaranhamos em fios de decadência.
Uma sinfonia sutil, soando a partir do meu pé esquerdo, leva-me à levitação. Nomear teu nome é romper o equilíbrio da balança: miríades de horticultores, enlouquecidos, passariam a dedicar-se à predação.
A consagração era prevista: chegará a hora das colisões. Meu infinito pessoal recolhe as imagens da mão do cadáver; pouca coisa nos resta: alguns espiões, um retângulo, a hesitação sem fronteiras. É preciso sair, o quanto antes, das campânulas que circundam o abismo.
Dias circulares (1976)
[In: Roteiro da Poesia Brasileira - anos 60, seleção e prefácio Pedro Lyra, São Paulo: Global, 2011, p. 106].
Sobre Cláudio Willer
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Murilo Mendes
A GRANDE CEIA
Eu quero dar uma grande ceia aos deserdados — aos tímidos — aos desconsolados — aos oprimidos — aos humildes — aos doentes incuráveis de amor — às prostitutas que olham pela rótula, sem coragem de chamar os clientes.
Eu quero dar uma grande ceia aos que enxergam demais — aos desesperados com esperança — aos rebelados contra Deus, mais próximos a mim do que os indiferentes.
Eu quero dar uma grande ceia aos poetas que não sabem se exprimir — aos amantes reciprocamente saciados — aos covardes que não podem se matar.
Eu quero dar uma grande ceia aos desertores da lei humana — aos que apenas conseguem destruir — aos que receberam o inferno por herança.
Servi-vos de mim, derrotados. Eu vos considerarei a cada um como uma parte dispersada de mim mesmo. Presidirei vossas angústias e miséria:. Retalhai-me, dividi meu coração em pedaços; então se terá cumprido um claro mistério de Deus.
[In Poesia Completa e Prosa, Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1994, p. 762].
Eu quero dar uma grande ceia aos deserdados — aos tímidos — aos desconsolados — aos oprimidos — aos humildes — aos doentes incuráveis de amor — às prostitutas que olham pela rótula, sem coragem de chamar os clientes.
Eu quero dar uma grande ceia aos que enxergam demais — aos desesperados com esperança — aos rebelados contra Deus, mais próximos a mim do que os indiferentes.
Eu quero dar uma grande ceia aos poetas que não sabem se exprimir — aos amantes reciprocamente saciados — aos covardes que não podem se matar.
Eu quero dar uma grande ceia aos desertores da lei humana — aos que apenas conseguem destruir — aos que receberam o inferno por herança.
Servi-vos de mim, derrotados. Eu vos considerarei a cada um como uma parte dispersada de mim mesmo. Presidirei vossas angústias e miséria:. Retalhai-me, dividi meu coração em pedaços; então se terá cumprido um claro mistério de Deus.
[In Poesia Completa e Prosa, Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1994, p. 762].
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| Andre Derain |
terça-feira, 1 de abril de 2014
Philip Larkin
OS VELHOS IMBECIS
Que pensam eles que aconteceu, os velhos imbecis,
Para os tornar nisto? Acaso lhes parece
Que é mais adulto quando a boca descai e te babas,
E te mijas outra vez, e não recordas
Quem veio esta manhã? Ou que, se pudessem escolher,
Fariam recuar as coisas a quando dançavam toda a noite,
Ou se casaram, ou assentaram praça num Setembro qualquer?
Ou imaginarão que realmente nada se alterou,
E que sempre se comportaram como se fossem aleijados ou inábeis,
Ou ficaram sentados dias a fio de fraco sonhar contínuo
Vendo a luz mudar? Se não o fazem (e não podem), é estranho:
Porque não gritam?
Ao morrer, desfazes-te: os bocados de que eras feito
Apressam-se a separar-se para sempre
Sem ninguém ver. É apenas esquecimento, é verdade:
Sabiamo-lo antes, mas então caminhava-se ainda para o fim,
E todo o tempo era afundado num esforço único
Para fazer desabrochar a flor de mil pétalas
De estar aqui. À próxima não podes fingir
Que haverá algo mais. E são estes os primeiros sinais:
Não saber como, não ouvir quem, perdida
A capacidade de escolha. Pelo aspecto sabe-se que estão acabados:
Cabelos cinza, mãos sapudas, cara enrugada de ameixa seca -
Como conseguem ignorá-lo?
Talvez ser velho seja ter quartos iluminados
Dentro da tua cabeça, e gente neles, representando.
Gente que conheces, mas não sabes nomear: cada um aparece
Como uma profunda perda recuperada, vindo de portas conhecidas,
Pousando um candeeiro, sorrindo de uma escada, tirando
Um livro conhecido das estantes; ou por vezes apenas
Só os quartos, cadeiras e um lume acesso.
O arbusto soprado na janela, ou a pálida
Amizade do sol na parede de algum solitário
Fim de tarde de verão depois da chuva. É aí que eles vivem:
Não aqui e agora, mas onde tudo outrora aconteceu.
É por isso que eles mostram
Um ar de ausência confusa, esforçando-se por estar lá
Já estando aqui. Porque os quartos afastam-se, deixando
Um frio inqualificável, o desgaste constante
De retomar a respiração, e eles curvados sob
A montanha da extinção, os velhos imbecis, sem nunca perceberem
Quão próxima está. Deve ser isto que os mantém calados:
O cume que se avista onde quer que vamos
Para eles é um pequeno monte. Não saberão nunca
O que os arrasta para trás, e como irá acabar? Nem de noite?
Nem quando os estranhos vêm? Nunca, durante
Toda esta odiosa infância invertida? Bom,
Havemos de descobrir.
[Tradução: Paulo José Miranda]
Que pensam eles que aconteceu, os velhos imbecis,
Para os tornar nisto? Acaso lhes parece
Que é mais adulto quando a boca descai e te babas,
E te mijas outra vez, e não recordas
Quem veio esta manhã? Ou que, se pudessem escolher,
Fariam recuar as coisas a quando dançavam toda a noite,
Ou se casaram, ou assentaram praça num Setembro qualquer?
Ou imaginarão que realmente nada se alterou,
E que sempre se comportaram como se fossem aleijados ou inábeis,
Ou ficaram sentados dias a fio de fraco sonhar contínuo
Vendo a luz mudar? Se não o fazem (e não podem), é estranho:
Porque não gritam?
Ao morrer, desfazes-te: os bocados de que eras feito
Apressam-se a separar-se para sempre
Sem ninguém ver. É apenas esquecimento, é verdade:
Sabiamo-lo antes, mas então caminhava-se ainda para o fim,
E todo o tempo era afundado num esforço único
Para fazer desabrochar a flor de mil pétalas
De estar aqui. À próxima não podes fingir
Que haverá algo mais. E são estes os primeiros sinais:
Não saber como, não ouvir quem, perdida
A capacidade de escolha. Pelo aspecto sabe-se que estão acabados:
Cabelos cinza, mãos sapudas, cara enrugada de ameixa seca -
Como conseguem ignorá-lo?
Talvez ser velho seja ter quartos iluminados
Dentro da tua cabeça, e gente neles, representando.
Gente que conheces, mas não sabes nomear: cada um aparece
Como uma profunda perda recuperada, vindo de portas conhecidas,
Pousando um candeeiro, sorrindo de uma escada, tirando
Um livro conhecido das estantes; ou por vezes apenas
Só os quartos, cadeiras e um lume acesso.
O arbusto soprado na janela, ou a pálida
Amizade do sol na parede de algum solitário
Fim de tarde de verão depois da chuva. É aí que eles vivem:
Não aqui e agora, mas onde tudo outrora aconteceu.
É por isso que eles mostram
Um ar de ausência confusa, esforçando-se por estar lá
Já estando aqui. Porque os quartos afastam-se, deixando
Um frio inqualificável, o desgaste constante
De retomar a respiração, e eles curvados sob
A montanha da extinção, os velhos imbecis, sem nunca perceberem
Quão próxima está. Deve ser isto que os mantém calados:
O cume que se avista onde quer que vamos
Para eles é um pequeno monte. Não saberão nunca
O que os arrasta para trás, e como irá acabar? Nem de noite?
Nem quando os estranhos vêm? Nunca, durante
Toda esta odiosa infância invertida? Bom,
Havemos de descobrir.
[Tradução: Paulo José Miranda]
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| Laura Walker |
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Fernando Paixão
Os berros das ovelhas de tão articulados quebram os motivos. Um lençol de silêncio cobre a tudo e todos. Passam os homens velho...
-
Os berros das ovelhas de tão articulados quebram os motivos. Um lençol de silêncio cobre a tudo e todos. Passam os homens velho...
-
PÃO-PAZ O Pão chega pela manhã em nossa casa. Traz um resto de madrugada. Cheiro de forno aquecido, de levedo e de lenha queimada. Traz as...
-
O Barco Bêbado Quando eu atravessava os Rios impassíveis, Senti-me libertar dos meus rebocadores. Cruéis peles-vermelhas com uivos terríve...





