sexta-feira, 20 de maio de 2022
Alberto Bresciani
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
José Luis Peixoto
terça-feira, 3 de agosto de 2021
Nikos Kazantzákis
“...Como os incrédulos conseguirão crer nos prodígios que a fé pode gerar? Esquecem-se de que a alma do homem torna-se onipotente, ao ser tomada por uma grande ideia. As pessoas assustam-se quando, depois de amargas provações, entendem que têm no íntimo uma força que pode exceder a força humana; assustam-se, porque a partir do momento em que entendem que existe essa força, não podem mais encontrar justificativas para suas ações insignificantes ou indignas, para suas vidas perdidas, jogando a culpa nos outros: já sabem que elas – e não a sorte, não o destino, nem mesmo os outros ao redor -, apenas elas têm integral responsabilidade, não importa o que façam, não importa no que se tornem. E aí então se envergonham de rir e de zombar se uma alma inflamada busca o impossível. ”
[In O capitão Mihális (Liberdade ou Morte), trad. Silvia Ricardino, São Paulo: ed. Grua, 2013]
sábado, 14 de novembro de 2020
Ailton Volpato
Finados
A criança sobre o campo sagrado traça caminhos.
Brinca, não sabe o que virá e vive o dia na graça. No campo está a
história, a memória. Só. A vida já é outra via antecipada pelo amor. A
criança é uma promessa, ponte a oscilar o tempo, entre riso e lágrima:
um desejo de ser. E o que celebramos é passagem.
2020
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Ailton Volpato
Quando visitas a humilde morada
É festa,
e a riqueza é o anúncio
Da vitória.
Estás sempre presente,
Em ronda silente,
Renovando o entusiasmo
De ir além.
De ti, o que ouço é sempre cântico,
Liturgia solene:
Do ínfimo instante se estende
O eterno.
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Wislawa Szymborska
NADA É DADO
Nada é dado, tudo emprestado.
Estou atolada em dívidas até o pescoço.
Serei forçada a pagar por mim
gastando a mim mesma,
dando a vida pela vida.
É coisa já arranjada:
tenho que devolver
o coração e o fígado
e cada dedo em particular.
Tarde demais para quebrar os termos do contrato.
O que devo me será tirado
junto com a minha pele.
Ando pelo mundo
numa multidão de outros devedores.
Alguns suportam o ônus
de pagar pelas asas.
Outros, queiram ou não,
prestarão conta de suas folhas.
Todo tecido em nós
está na coluna Débito.
Nenhum cílio, nenhuma haste
a conservar para sempre.
O inventário é minucioso
e tudo indica
que não vamos ficar com nada.
Não consigo lembrar
onde, quando e com que fim
permiti que abrissem
essa conta em meu nome.
O protesto contra ela
chamamos de alma.
Esse é o único item
que não consta do inventário.
(Em [Para o meu coração num domingo], tradução: Regina Przybycien e Gabriel Borowski, Companhia das Letras, São Paulo, 2020)
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Dora Ferreira da Silva
Moras num antiquário e nunca estás.
Um gato sonolento recebe instáveis visitantes
mas eu fico à espera. Conheço cada fresta da parede
suas manchas e os objetos estranhos que ninguém
pensa comprar: a pátina os cobre de suave indiferença.
Parecem meteoros expulsos de espaços
infinitos e eu sinto a esperança de ver-te
ainda que um só momento — ausente de ti mesmo
e a sós contigo. Aqui estou de joelhos. Imóvel.
Julgarias que lá estava — se tanto — uma pequena pirâmide
silenciosa. Ver-te-ia de pálpebras fechadas
teu modo de estar a sós tua possível neurastenia
debatendo-se no antiquário entre objetos.
E quando te fosses quem sabe desligarias
as pesadas correntes que me prendem.
[In Poesia Reunida, Rio de Janeiro, Topbooks, 1999]
Fernando Paixão
Os berros das ovelhas de tão articulados quebram os motivos. Um lençol de silêncio cobre a tudo e todos. Passam os homens velho...
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