Deve ser o último tempo
A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos
O cadáver onde a aranha decide o círculo.
Deve ser o último degrau na escada de Jacob
E último sonho nele
Deve ser-lhe a última dor no quadril.
Deve ser o mendigo à minha porta
E a casa posta à venda.
Devo ser o chão que me recebe
E a árvore que me planta.
Em silêncio e devagar no escuro
Deve ser a véspera. Devo ser o sal
Voltado para trás.
Ou a pergunta na hora de partir.
[Daniel Faria, Explicação das Árvores e de Outros Animais, 1998]
quinta-feira, 31 de julho de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Murilo Mendes
FLORES DE OURO PRETO
A Cecília Meireles
Vi a cidade barroca
Sem enfeites se levantar.
Nem flores eu pude ver,
Flores da vida fecunda,
Nesta áspera Ouro Preto,
Nesta árida Ouro Preto:
Nem veras flores eu vi
Nascidas da natureza,
Da natureza lavada
Pelo frio e o céu azul.
Tristes flores de Ouro Preto.
Só vi cravos-de-defunto,
Apagadas escabiosas,
Murchas perpétuas sem cheiro,
Só vi flores desbotadas
Nascidas de sete meses,
Só vi cravos-de-defunto,
Que se atam ao crucifixo,
Que se levam ao Senhor Morte
Vi flores de pedra azul...
Eu vi nos muros de canga
A simples folhagem rasa,
A avença úmida e humilde,
Brancos botões pequeninos
A custo se entreabrindo,
Mas não vi flores fecundas,
Não vi as flores da vida
Nascidas à luz do sol.
Eu vi a cidade árida,
Estéril, sem ouro, esquálida;
Eu vi a cidade nobre
Na sua patina fosca,
Desfolhando lá das grimpas
No seu regaço de pedra
Buquês de flores extintas.
Eu vi a cidade sóbria
Medida na eternidade,
Severa se confrontando
À cinza das ampulhetas,
Sem outro ornato apurado
Além da pedra do chão.
Eu vi a cidade barroca
Vivendo da luz do céu.
[Contemplação de Ouro Preto, In Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, pp. 470-471].
A Cecília Meireles
Vi a cidade barroca
Sem enfeites se levantar.
Nem flores eu pude ver,
Flores da vida fecunda,
Nesta áspera Ouro Preto,
Nesta árida Ouro Preto:
Nem veras flores eu vi
Nascidas da natureza,
Da natureza lavada
Pelo frio e o céu azul.
Tristes flores de Ouro Preto.
Só vi cravos-de-defunto,
Apagadas escabiosas,
Murchas perpétuas sem cheiro,
Só vi flores desbotadas
Nascidas de sete meses,
Só vi cravos-de-defunto,
Que se atam ao crucifixo,
Que se levam ao Senhor Morte
Vi flores de pedra azul...
Eu vi nos muros de canga
A simples folhagem rasa,
A avença úmida e humilde,
Brancos botões pequeninos
A custo se entreabrindo,
Mas não vi flores fecundas,
Não vi as flores da vida
Nascidas à luz do sol.
Eu vi a cidade árida,
Estéril, sem ouro, esquálida;
Eu vi a cidade nobre
Na sua patina fosca,
Desfolhando lá das grimpas
No seu regaço de pedra
Buquês de flores extintas.
Eu vi a cidade sóbria
Medida na eternidade,
Severa se confrontando
À cinza das ampulhetas,
Sem outro ornato apurado
Além da pedra do chão.
Eu vi a cidade barroca
Vivendo da luz do céu.
[Contemplação de Ouro Preto, In Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, pp. 470-471].
domingo, 27 de julho de 2014
Giorgos Seféris
Lembrança, II
Éfeso
Falava sentado sobre um mármore
que parecia resto de um antigo pórtico;
à direita, intérmino e vazio, o campo;
à esquerda, as sombras do monte que baixavam:
"O poema está em toda parte. Tua voz
por vezes se avizinha do seu flanco
como o golfinho que acompanha fugazmente
um navio dourado sob o sol
e de novo some. Está em toda parte
o poema, como as asas do ar que dentro do ar
roçam por um instante as asas da gaivota.
Igual e diverso em nossa vida, como se transforma
o rosto que no entanto permanece o mesmo
da mulher a desnudar-se. Sabe-o
quem amou; à luz dos outros
o mundo se consome; lembra-te porém
"São o mesmo o Hades e Dioniso."
Disse e foi-se embora pela estrada larga
que leva ao porto de outros tempos, ora em ruínas
além dos juncos. Dir-se-ia
ser o lusco-fusco um bicho que morre,
assim tão nu.
Lembro-me ainda:
eu viajava por promontórios jônicos, conchas vazias de teatros
onde só o lagarto rasteja sobre a pedra árida
e perguntei-lhe: "Voltará a encher-se?"
Replicou-me: "Na hora da morte pode ser."
E correu gritando até a orquestra:
"Deixem-me escutar o meu irmão!"
E era áspero o silêncio à nossa volta
sem traço algum no cristal do céu azul.
[Poemas Giorgos Seféris, sel., trad. e notas de José Paulo Paes, São Paulo: Nova Alexandria, 1995, pp. 143-144].
Éfeso
Falava sentado sobre um mármore
que parecia resto de um antigo pórtico;
à direita, intérmino e vazio, o campo;
à esquerda, as sombras do monte que baixavam:
"O poema está em toda parte. Tua voz
por vezes se avizinha do seu flanco
como o golfinho que acompanha fugazmente
um navio dourado sob o sol
e de novo some. Está em toda parte
o poema, como as asas do ar que dentro do ar
roçam por um instante as asas da gaivota.
Igual e diverso em nossa vida, como se transforma
o rosto que no entanto permanece o mesmo
da mulher a desnudar-se. Sabe-o
quem amou; à luz dos outros
o mundo se consome; lembra-te porém
"São o mesmo o Hades e Dioniso."
Disse e foi-se embora pela estrada larga
que leva ao porto de outros tempos, ora em ruínas
além dos juncos. Dir-se-ia
ser o lusco-fusco um bicho que morre,
assim tão nu.
Lembro-me ainda:
eu viajava por promontórios jônicos, conchas vazias de teatros
onde só o lagarto rasteja sobre a pedra árida
e perguntei-lhe: "Voltará a encher-se?"
Replicou-me: "Na hora da morte pode ser."
E correu gritando até a orquestra:
"Deixem-me escutar o meu irmão!"
E era áspero o silêncio à nossa volta
sem traço algum no cristal do céu azul.
[Poemas Giorgos Seféris, sel., trad. e notas de José Paulo Paes, São Paulo: Nova Alexandria, 1995, pp. 143-144].
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Fernando Sernadas
POEDRAS
A linguagem é um cesto de
Arrecadação dos pedaços
Não um meio de organização do caos
E por isso as leis da poesia são as da física
Pega-se numa pedra e o poema nasce
Do equilíbrio entre o peso das pedras
E o jorro do sangue
E dentro do caos em permanência
Muda-se a História quando esse equilíbrio se quebra
Pega-se numa pedra
Pelo peso e rugosidade se julga
A eficácia da pedrada
E assim se multiplicam as pedras
E desvanecem as palavras
POEMA PRENSADO
Outras vezes é o apressado das asas na despega
O empenho científico em que
A caligrafia se não entenda
Uma ave caminhando na areia
Nesse espaço criativo e indiferente
Entre o tinteiro do mar
E a teimosia do vento
Fernando Sernadas, 19/1/2014
AS RUAS DE DETROIT
Ninguém passa nas ruas de Detroit
O futuro da cidade é agora
Desfeito naquilo que se alveja deste lado
Algo que rebenta como promessa cumprida
Mas tendo como fisga a matéria sem forma
E os dedos do oleiro de onde nasce o vaso
São frias as noites nas ruas de Detroit
Como casa estroncada a caminho do vento
Ou aldeia saqueada pelos próprios morantes
Numa via de um sentido onde o regresso é mentira
Algo caminha em Detroit imperceptível
Algo mina Detroit por dentro cegamente
Lombriga ondeando nas artérias da fuga
Ou bicho de fruta a salvo da fome alheia
Fernando Sernadas, 17/1/2014
POEMA ESGOTADO
A face do ser é uma página em branco
De não chegar para a vida
Plantar árvores nas margens da dor
Nenhuma fornalha redime a sombra ao fim do dia
Nenhum sorriso ilumina
O olho atento da ave antes da morte
Mesmo sabendo que esse olho
É a porta de saída de tudo
Uma face humana é o espelho do desentendimento
Uma ideia humana é o lugar da luz de todo desentendimento
Só a ave sabe o mundo inteiro por fora
Quando fazer parte de algo é a cegueira iluminada
Como quem desfaz o tecido por um fio solto
E cai o passado às mãos como um fruto podre
E se esgota a palavra de serem velozes as nuvens
Fernando Sernadas, 15/1/2014.
A linguagem é um cesto de
Arrecadação dos pedaços
Não um meio de organização do caos
E por isso as leis da poesia são as da física
Pega-se numa pedra e o poema nasce
Do equilíbrio entre o peso das pedras
E o jorro do sangue
E dentro do caos em permanência
Muda-se a História quando esse equilíbrio se quebra
Pega-se numa pedra
Pelo peso e rugosidade se julga
A eficácia da pedrada
E assim se multiplicam as pedras
E desvanecem as palavras
POEMA PRENSADO
Outras vezes é o apressado das asas na despega
O empenho científico em que
A caligrafia se não entenda
Uma ave caminhando na areia
Nesse espaço criativo e indiferente
Entre o tinteiro do mar
E a teimosia do vento
Fernando Sernadas, 19/1/2014
AS RUAS DE DETROIT
Ninguém passa nas ruas de Detroit
O futuro da cidade é agora
Desfeito naquilo que se alveja deste lado
Algo que rebenta como promessa cumprida
Mas tendo como fisga a matéria sem forma
E os dedos do oleiro de onde nasce o vaso
São frias as noites nas ruas de Detroit
Como casa estroncada a caminho do vento
Ou aldeia saqueada pelos próprios morantes
Numa via de um sentido onde o regresso é mentira
Algo caminha em Detroit imperceptível
Algo mina Detroit por dentro cegamente
Lombriga ondeando nas artérias da fuga
Ou bicho de fruta a salvo da fome alheia
Fernando Sernadas, 17/1/2014
POEMA ESGOTADO
A face do ser é uma página em branco
De não chegar para a vida
Plantar árvores nas margens da dor
Nenhuma fornalha redime a sombra ao fim do dia
Nenhum sorriso ilumina
O olho atento da ave antes da morte
Mesmo sabendo que esse olho
É a porta de saída de tudo
Uma face humana é o espelho do desentendimento
Uma ideia humana é o lugar da luz de todo desentendimento
Só a ave sabe o mundo inteiro por fora
Quando fazer parte de algo é a cegueira iluminada
Como quem desfaz o tecido por um fio solto
E cai o passado às mãos como um fruto podre
E se esgota a palavra de serem velozes as nuvens
Fernando Sernadas, 15/1/2014.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Adam Zagajewski
SENZA FLASH
Senza flash! "Sem flash!"
(exclamação frequentemente ouvida nos museus italianos)
Sem chama, sem noites insones, sem ardor,
sem lágrimas, sem grandes paixões, sem convicção.
Assim a vida segue: senza flash.
Tranquilas e calmas, dóceis e sonolentas,
as mãos estão manchadas com a tinta preta dos jornais,
os rostos engordurados de cremes, senza flash.
Turistas sorrindo com suas camisas limpas,
Herr Lange e Miss Fee, Madame e Monsieur Rien
entram no museu: senza flash
Estão diante do quadro de Piero della Francesca, onde
Cristo, quase insano, emerge da sepultura,
Ressuscitado, livre: senza flash.
E quem sabe ocorra algum imprevisto:
o coração se agita sob o liso algodão,
acaba o silêncio, o flash dispara.
SOBRE ADAM ZAGAJEWSKI
Senza flash! "Sem flash!"
(exclamação frequentemente ouvida nos museus italianos)
Sem chama, sem noites insones, sem ardor,
sem lágrimas, sem grandes paixões, sem convicção.
Assim a vida segue: senza flash.
Tranquilas e calmas, dóceis e sonolentas,
as mãos estão manchadas com a tinta preta dos jornais,
os rostos engordurados de cremes, senza flash.
Turistas sorrindo com suas camisas limpas,
Herr Lange e Miss Fee, Madame e Monsieur Rien
entram no museu: senza flash
Estão diante do quadro de Piero della Francesca, onde
Cristo, quase insano, emerge da sepultura,
Ressuscitado, livre: senza flash.
E quem sabe ocorra algum imprevisto:
o coração se agita sob o liso algodão,
acaba o silêncio, o flash dispara.
SOBRE ADAM ZAGAJEWSKI
terça-feira, 22 de julho de 2014
Wislawa Szymborska
A MULHER DE LOT
(1976)
Dizem que olhei para trás curiosa.
Mas quem sabe eu também tinha outras razões.
Olhei para trás de pena pela tigela de prata.
Por distração – amarrando a tira da sandália.
Para não olhar mais para a nuca virtuosa
do meu marido Lot.
Pela súbita certeza de que se eu morresse
ele nem diminuiria o passo.
Pela desobediência dos mansos.
Alerta à perseguição.
Afetada pelo silêncio, na esperança de Deus ter mudado de ideia.
Nossas duas filhas já sumiam para lá do cimo do morro.
Senti em mim a velhice. O afastamento.
A futilidade da errância. Sonolência.
Olhei para trás enquanto punha a trouxa no chão.
Olhei para trás por receio de onde pisar.
No meu caminho surgiram serpentes,
aranhas, ratos silvestres e filhotes de abutres.
Já não eram bons nem maus – simplesmente tudo o que vivia
serpenteava ou pulava em pânico consorte.
Olhei para trás de solidão.
De vergonha de fugir às escondidas.
De vontade de gritar, de voltar.
Ou foi só quando um vento me bateu,
despenteou o meu cabelo e levantou meu vestido.
Tive a impressão de que me viam dos muros de Sodoma
e caíam na risada, uma vez, outra vez.
Olhei para trás de raiva.
Para me saciar de sua enorme ruína.
Olhei para trás por todas as razões mencionadas acima.
Olhei para trás sem querer.
Foi somente uma rocha que virou, roncando sob meus pés.
Foi uma fenda que de súbito me podou o passo.
Na beira trotava um hamster apoiado nas duas patas.
E foi então que ambos olhamos para trás.
Não, não. Eu continuava correndo,
me arrastava e levantava,
enquanto a escuridão não caiu do céu
e com ela o cascalho ardente e as aves mortas.
Sem poder respirar, rodopiei várias vezes.
Se alguém me visse, por certo acharia que eu dançava.
É concebível que meus olhos estivessem abertos.
É possível que ao cair meu rosto fitasse a cidade.
(1976)
Dizem que olhei para trás curiosa.
Mas quem sabe eu também tinha outras razões.
Olhei para trás de pena pela tigela de prata.
Por distração – amarrando a tira da sandália.
Para não olhar mais para a nuca virtuosa
do meu marido Lot.
Pela súbita certeza de que se eu morresse
ele nem diminuiria o passo.
Pela desobediência dos mansos.
Alerta à perseguição.
Afetada pelo silêncio, na esperança de Deus ter mudado de ideia.
Nossas duas filhas já sumiam para lá do cimo do morro.
Senti em mim a velhice. O afastamento.
A futilidade da errância. Sonolência.
Olhei para trás enquanto punha a trouxa no chão.
Olhei para trás por receio de onde pisar.
No meu caminho surgiram serpentes,
aranhas, ratos silvestres e filhotes de abutres.
Já não eram bons nem maus – simplesmente tudo o que vivia
serpenteava ou pulava em pânico consorte.
Olhei para trás de solidão.
De vergonha de fugir às escondidas.
De vontade de gritar, de voltar.
Ou foi só quando um vento me bateu,
despenteou o meu cabelo e levantou meu vestido.
Tive a impressão de que me viam dos muros de Sodoma
e caíam na risada, uma vez, outra vez.
Olhei para trás de raiva.
Para me saciar de sua enorme ruína.
Olhei para trás por todas as razões mencionadas acima.
Olhei para trás sem querer.
Foi somente uma rocha que virou, roncando sob meus pés.
Foi uma fenda que de súbito me podou o passo.
Na beira trotava um hamster apoiado nas duas patas.
E foi então que ambos olhamos para trás.
Não, não. Eu continuava correndo,
me arrastava e levantava,
enquanto a escuridão não caiu do céu
e com ela o cascalho ardente e as aves mortas.
Sem poder respirar, rodopiei várias vezes.
Se alguém me visse, por certo acharia que eu dançava.
É concebível que meus olhos estivessem abertos.
É possível que ao cair meu rosto fitasse a cidade.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Eloy Sánchez Rosillo
CORPO ADORMECIDO
Às vezes relembro a lassidão daqueles dias,
a graça daquele corpo adormecido,
a brancura do leito num canto do quarto,
o livro abandonado, entreaberto,
a lâmpada submissa, a janela,
o barulho distante da chuva,
os lentos rumores da noite,
e penso então que a vida foi bela
e acaricio as feridas do tempo em meu peito.
25 de agosto de 1975
CAMINHO DO SILÊNCIO
Agora cala-te.Teus lábios
jamais proferirão as palavras que hoje
pela última vez disseste. Guarda a voz
para tua solidão. Que teu trabalho
seja o silêncio, o gozo e a alegria de calar
o que as horas te deram, o que aprendeste
nos dias luminosos que se foram.
DEPOIS DA CHUVA
Ao entardecer, depois da chuva,
o sol acariciava as pedras da antiga cidade
de um modo especial,
com um profundo e triste e natural amor.
E ao olhar tomamos consciência
daquele minuto prodigioso,
daquela intensa e instável beleza.
05 de setembro de 1976
Às vezes relembro a lassidão daqueles dias,
a graça daquele corpo adormecido,
a brancura do leito num canto do quarto,
o livro abandonado, entreaberto,
a lâmpada submissa, a janela,
o barulho distante da chuva,
os lentos rumores da noite,
e penso então que a vida foi bela
e acaricio as feridas do tempo em meu peito.
25 de agosto de 1975
CAMINHO DO SILÊNCIO
Agora cala-te.Teus lábios
jamais proferirão as palavras que hoje
pela última vez disseste. Guarda a voz
para tua solidão. Que teu trabalho
seja o silêncio, o gozo e a alegria de calar
o que as horas te deram, o que aprendeste
nos dias luminosos que se foram.
DEPOIS DA CHUVA
Ao entardecer, depois da chuva,
o sol acariciava as pedras da antiga cidade
de um modo especial,
com um profundo e triste e natural amor.
E ao olhar tomamos consciência
daquele minuto prodigioso,
daquela intensa e instável beleza.
05 de setembro de 1976
Assinar:
Postagens (Atom)
Fernando Paixão
Os berros das ovelhas de tão articulados quebram os motivos. Um lençol de silêncio cobre a tudo e todos. Passam os homens velho...
-
Os berros das ovelhas de tão articulados quebram os motivos. Um lençol de silêncio cobre a tudo e todos. Passam os homens velho...
-
PÃO-PAZ O Pão chega pela manhã em nossa casa. Traz um resto de madrugada. Cheiro de forno aquecido, de levedo e de lenha queimada. Traz as...
-
O Barco Bêbado Quando eu atravessava os Rios impassíveis, Senti-me libertar dos meus rebocadores. Cruéis peles-vermelhas com uivos terríve...



