Quando visitas a humilde morada
É festa,
e a riqueza é o anúncio
Da vitória.
Estás sempre presente,
Em ronda silente,
Renovando o entusiasmo
De ir além.
De ti, o que ouço é sempre cântico,
Liturgia solene:
Do ínfimo instante se estende
O eterno.
Quando visitas a humilde morada
É festa,
e a riqueza é o anúncio
Da vitória.
Estás sempre presente,
Em ronda silente,
Renovando o entusiasmo
De ir além.
De ti, o que ouço é sempre cântico,
Liturgia solene:
Do ínfimo instante se estende
O eterno.
NADA É DADO
Nada é dado, tudo emprestado.
Estou atolada em dívidas até o pescoço.
Serei forçada a pagar por mim
gastando a mim mesma,
dando a vida pela vida.
É coisa já arranjada:
tenho que devolver
o coração e o fígado
e cada dedo em particular.
Tarde demais para quebrar os termos do contrato.
O que devo me será tirado
junto com a minha pele.
Ando pelo mundo
numa multidão de outros devedores.
Alguns suportam o ônus
de pagar pelas asas.
Outros, queiram ou não,
prestarão conta de suas folhas.
Todo tecido em nós
está na coluna Débito.
Nenhum cílio, nenhuma haste
a conservar para sempre.
O inventário é minucioso
e tudo indica
que não vamos ficar com nada.
Não consigo lembrar
onde, quando e com que fim
permiti que abrissem
essa conta em meu nome.
O protesto contra ela
chamamos de alma.
Esse é o único item
que não consta do inventário.
(Em [Para o meu coração num domingo], tradução: Regina Przybycien e Gabriel Borowski, Companhia das Letras, São Paulo, 2020)
Os berros das ovelhas de tão articulados quebram os motivos. Um lençol de silêncio cobre a tudo e todos. Passam os homens velho...