segunda-feira, 28 de maio de 2012
Murilo Mendes
CERTO MAR
O mar não me quer,
O mar não sei porque me abomina,
o mar autárquico:
Ele me atira barbatanas e algas podres,
Destroços de manequins e papéis velhos,
Arrastando para longe barco e sereia.
O mar tem idéias singulares sobre mim,
Manda-me recados insolentes
Em garrafas há muito esquecidas e sujas.
Suprime de repente o veleiro de 1752
Que vinha beirando o cais.
Suprime o veleiro e um bando de fantasmas
-Eu bem sei-
Únicos, polidos, um quase nada solenes.
Não tolero mais este safado,
Nem mesmo o admito no outro mundo:
Felizmente a eternidade é límpida,
Sem praia e sem lamentos.
Hei de espiá-lo da Grande rosácea,
Hei de vê-lo um dia lá embaixo,
Inútil: espremida esponja, carcaça de canoa,
Avesso de fotografia.
[Poesia Completa e Prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1994, pp. 553-554]
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