TARDE DE DOMINGO
assim
disposta num terraço
aberto ao tempo
a cadeira se balança
com cuidado e conforto
mas leve indecisão
quanto ao ritmo
não tanto
pelo frágil frêmito
da imagem do mar
seu brilho
de espelho fraturado
sob o sol
mas sobretudo
pela regularidade
do movimento mesmo do mar:
avanço sistemático
e recuo estratégico
a tracejar
uma linha de ameaça
ou simples prenúncio
de perigos mais fundos
- o frio dos abismos
e os restos
que habitam esta baía
não fosse vir
de dentro da casa
essa música
feita de limpidez
e medida
maquinaria impalpável
de emoção à flor da matéria
que numa recusa ao devaneio
se articula avessa à dispersão
para expor
por entre sombras
iluminadas pela razão
todo o seu desalento
In Poemas [1975 - 2005], Cosacnaif: São Paulo, 2006, pp. 72-73
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Fernando Paixão
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