Hás de partir sem demora
A cada instante acordarás em outro campo
E verás em ti a emoção de uma outra face.
Nenhum pacto entre irmãos largados à prova do tempo
Resiste à intenção final do desenlace.
O infinito sonho da memória
Se alimenta das coisas desprezadas
Extraindo delas o espírito
De uma única procura que não morre.
Uma ave de rapina encarnou-se no teu peito,
Armou os teus braços de asas grandiosas
E lançou voo à espreita da carniça
Mudando sempre o teu itinerário
De sorte que não mais te acostumaste a um só crepúsculo,
Nem à paz que a água recende quando brota.
No teu lento caminhar não se percebe
O quanto já avançaste e por onde,
Em verdade pouca lembrança resta
De uma subida espinhosa ou de um atalho
Porque antes os teus olhos de menino
A nada terão se apegado.
O anseio de atravessar as terras novas
É apenas o que existe em ti
Para ser indefinidamente reavivado.
E tudo o que amas com fervor
Reside no absoluto esquecimento do passado.
Passagens, São Paulo: Iluminuras, 2003, p. 67
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