"O jasmim nos fundos da minha casa encontra-se agora completamente destruído pelas chuvadas e temporais dos últimos dias. As suas florzinhas brancas boiam dispersas nas lamacentas poças negras do telhado raso da garagem. Mas, em algum lugar em mim, esse jasmim continua a florir sem impedimentos, tão exuberante e delicado como sempre floriu. E espalha os odores pela casa onde habitas, meu Deus. Como vês, trato bem de ti. Não te trago somente as minhas lágrimas e pressentimentos temerosos, até te trago, nesta tempestuosa e parda manhã de domingo, jasmim perfumado".
"Dá-me um pequeno verso por dia, meu Deus. E se eu nem sempre o puder copiar por não haver papel ou luz, então hei-de declamá-lo baixinho para o teu grande céu, à noite, mas dá-me um pequeno verso de vez em quando" (24 de Setembro de 1942).
[In Diário 1941- 1943, Lisboa, Assírio & Alvim, 2009, p. 251]
sábado, 30 de novembro de 2013
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Fernando Paixão
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