A ti, que cheiras a incenso, cortarei
daqui até ao Alasca!
Deixem-me!
Não me detenham!
Certo
ou errado
não posso ficar calmo.
Olhem —
decapitaram mais estrelas
e ensanguentaram o céu como um matadouro!
Eh, tu!
Ó céu!
Tira o chapéu!
Que vou a passar eu!
Silêncio!
O Universo dorme
com a enorme orelha
cheia de estrelas
sobre a pata.
(1914/1915)
(In Poetas Russos, trad. e prólogo de Manuel de Seabra, Relógio D´Água, Lisboa, 1995)
SOBRE Vladímir Maiakovski
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Fernando Paixão
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